Página de Abertura
Personalidades
Dr. Armando A. Fernandes
Gaspar d'Almeida Paúl
P.e José A. Castro
P.e Leite de Vasconcelos
P.e
Vasco A. Moreira
Dr. Victor O. Gouvêa
Sebastião Cardoso
Adácio Pestana
Adriano T. Saavedra
Nelo Vingada
António Caetano
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Dr. Victor Osório de Gouvêa
Médico
Comendador da Ordem de Benemerência
Victor Osório de Gouvêa foi um distintíssimo
médico que, em tempos passados e bem difíceis, durante cerca de 4
décadas, (1928-1968) prestou ao concelho de Tarouca um serviço
inestimável na
área da saúde. Sozinho e sem quaisquer condições, a
não ser o exíguo
compartimento de que dispunha no edifício dos Passos do Concelho para
a Delegação de Saúde, ele exerceu, coordenou e assumiu
inteiramente a
assistência médica na totalidade do Concelho de Tarouca numa disponibilidade
total de 24 horas por dia. Desde que iniciou
a sua actividade era constante a sua deambulação pelas estradas e caminhos
do concelho quer fizesse chuva ou sol, quer de dia ou a qualquer hora
da noite, nunca deixou de acorrer aos chamamentos para socorrer os doentes
que não podiam sair de casa. Era, de facto, o automóvel
do Sr. Dr. Victor que ao tempo se via mais vezes pelas estradas, caminhos
e ruelas das mais humildes aldeias do concelho.
Homem inteligente, profundamente sabedor, sempre actualizado em tudo
que dizia respeito à sua profissão, sempre se notabilizou como
médico de excepcional competência que transmitia a mais absoluta
confiança aos seus doentes. Com a discrição que lhe era peculiar
lutou incessantemente pela saúde e bem das pessoas. Ligado desde
muito cedo à Santa Casa da Misericórdia de Tarouca, esteve na origem
da ideia da construção de um hospital, sensibilizando as pessoas
que administravam esta Instituição e as autoridades que estavam à
frente dos destinos do concelho na altura. Apesar das precariedades
com que se debatiam todas as instituições e as infinitas teias
burocráticas que foi preciso desbravar, com o contributo do
humilde povo trabalhador do Concelho, com suas dádivas em
vários cortejos de oferendas realizados, o dito hospital foi construído
para grande alegria deste clínico, não pela sua vitória, não pela
sua comodidade, mas sim porque passaria a haver mais dignidade e mais
meios técnicos no tratamento dos seus doentes.
Este Homem, por detrás daquela sua estatura mediana e mesmo um quanto
franzina, escondiam um homem de personalidade forte, de homem bom
e com um coração cheio de amor ao próximo. Do seu habitual retraimento
e reserva a cumprimentos rasgados e constante fuga ao normal relacionamento
com as pessoas, faz da sua vida um verdadeiro sacerdócio dedicado
quase exclusivamente ao exercício da sua profissão e à família.
Um homem indiferente às classes sociais, aos ideais políticos ou
religiosos, a todos atendia incondicionalmente. Aos doentes pobres
não só nada lhes cobrava pelos seus serviços como ainda os ajudava
materialmente muitas vezes para poderem comprar os medicamentos que
lhes receitava e assim poderem se tratar. Os seus honorários eram
bem poucos porque nessa época a miséria era muita por este país fora
e eram bem poucos os que podiam pagar pela saúde. Para a Santa Casa
da Misericórdia sempre trabalhou gratuitamente como director clínico
do Hospital. Nunca se poupava aos
sacrifícios, muitas vezes com risco da própria saúde para
prestar assistência e velar pela vida dos seus doentes.
Quando não podia se fazer transportar no seu automóvel, ele ia a pé
calçando botas de borracha quando os caminhos estavam alagados ou
cheios de neve. Pelas características nobres
e de abnegação, em favor do bem do próximo foi-lhe atribuido o grau
de Comendador da Ordem de Benemerência. Atribuição justíssima
mas que em nada lhe alterou o seu carácter.
Foi extraordinário o serviço que prestou ao concelho de Tarouca trabalhando
toda a sua vida para os outros e se foi esquecendo cada vez mais de
si próprio.
Quando a doença o surpreendeu e lhe fez sentir que também ele
precisaria de algum tempo para descansar e tratar-se, já terá sido
demasiadamente tarde e, por isso, prematuramente nos deixou.
Além de um largo da vila a que foi dado
o seu nome há já alguns anos, em 15 de Agosto de 2000 foi inaugurado
um busto a perpetuar a sua memória, à entrada do Centro de Saúde
de Tarouca que, se ainda fosse vivo, estas modernas instalações
seriam para si mais um motivo de grande contentamento.
(Fonte: Jornal "Sopé da Montanha" de 08/2000, adaptado)
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