Página de Abertura
Personalidades
Dr. Armando A. Fernandes
Gaspar d'Almeida Paúl
P.e José A. Castro
P.e Leite de Vasconcelos
P.e
Vasco A. Moreira
Dr. Victor O. Gouvêa
Sebastião Cardoso
Adácio Pestana
Adriano T. Saavedra
Nelo Vingada
António Caetano
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José Leite de Vasconçelos Cardoso Pereira de Melo
Etnólogo, Filólogo,
Arqueólogo, Médico e Poeta
A 7 de Julho de 1858 nasceu Leite de Vasconcelos
em Ucanha e viveu durante algum tempo em Mondim da Beira, actualmente freguesias
de Tarouca. A fortuna abastada de seus avós paternos, veio a reduzir-se
a quase nada quando chegou à posse de seus pais: daí que o moço José
Leite, com o exame de instrução primária, um pouco de Latim e de
Francês, de Inglês e Italiano, que parentes e padres lhe ensinaram
e o que por sua conta aprendeu, houvesse de empregar-se na Câmara de
Mondim, de cujo magro ordenado vivia toda a família.
Aos dezassete anos e meio vai para o Porto,
onde o esperava, graças a empenhos de seu tio António Leite, o lugar
de ajudante de ensino, no Colégio de Santa Catarina, e de amanuense
da Secretaria do Liceu. É a expensas deste trabalho de todo o dia,
que vai vivendo com os pais e ainda a noite a ocupava no estudo.
Completou o curso de medicina no ano de
1886, no Porto, apresentando a Tese sobre o tema - EVOLUÇÃO DA
LINGUAGEM, obtendo a distinção que lhe mereceu o prémio Macedo
Pinto destinado ao mais distinto estudante.
Foi durante algum tempo Delegado de Saúde
no concelho de Cadaval, mas, como tinha grande tendência para
problemas de etnologia e filologia foi nomeado conservador da
Biblioteca Nacional, abandonando assim a medicina.
Fundou a revista «LUSITANA», onde se
encontram expostos os seus trabalhos de etnologia e etnografia.
Foi professor no Liceu Central de Lisboa
e na Academia de Estudos Livres. Regeu o Curso de Bibliotecário
Arquivista. Junto com o seu íntimo amigo Dr. Bernardino Machado,
criou o Museu Etnológico de Lisboa (que tem o seu nome) e fundou
a revista «ARQUEÓLOGO PORTUGUÊS».
Apesar de ser formado em Medicina, a sua
grande paixão foram as letras.
Em 1901, formou-se em Letras pela Universidade
de Paris.
Foi professor de Epigrafia e Arqueologia.
Participou em muitos congressos, principalmente
em Atenas, Roma e Cairo.
Nunca se casou. Dedicou toda a sua vida aos
estudos, vivendo só com uma criada, um gato e os seus livros.
Escreveu muitas obras, das quais se
destacam: «As Maias - Costumes Populares Portugueses»; «A Origem
do Povo Português»; «Religiões da Lusitânia»; «Etnografia Portuguesa»;
«Ucanha e o seu Pelourinho»; Memórias de Mondim da Beira»; etc.
Ainda estudante, com 24 anos, por 1882,
descobria o dialecto mirandês e sobre ele compôs o seu primeiro livro
de Filologia, elogiosamente recebido pela crítica nacional e estrangeira.
Mereceu esta obra o único prémio pecuniário conferido pela Sociedade
de Línguas Românicas de Montpellier (1883).
Preocupou-se durante toda a sua vida com
a verdadeira identidade do povo, seus usos e costumes; em defender
a nossa identidade como nação.
A sua actividade científica só terminaria
com a sua morte em 17 de Maio de 1941 em Lisboa no bairro de Campolide.
Cumularam-no de honras os mais ilustres nomes das
Ciências e das Letras, nacionais e estrangeiros. Agraciaram-no com
prémios e distinções, a ele que nada pedia, posto que os tivesse por
merecidos. Pertencia a um sem número de sociedades científicas, podendo
salientar-se o Instituto de França que lhe conferiu o prestigioso
prémio de Raoul Duseigneur.
(Fonte: Jornal "Sempre Jovem" de Setembro de 1991)
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Poesia de Leite de Vasconcelos
Eu nasci nas agrestes serranias
Da nevoenta legendária Beira.
Lá onde o lobo a uivar consome os dias
E cresce e brilha a rubra flor da urgueira:
Onde o vento, ao passar, diz mil segredos...
E São João, no vivo e quente estio,
Soluça ao ver as moiras nos penedos,
Ou com as moças canta ao desafio.
Onde os rios, descendo sussurrantes,
Nas ladeiras em ásperos fragões,
Parecem velhos frades mendicantes
A rezarem pausadas orações.
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