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José Rodrigues de Almeida e Castro Abade de Tarouca - Escritor e Poeta 1870 - 1947
Natural da freguesia de Tarouca,
Gondomar, onde nasceu a 17 de Abril de 1870, aqui veio a falecer
em 14 de Dezembro de 1947.
O Padre José Rodrigues de Almeida e Castro, foi pároco de Sarzedo,
transitando em seguida para "pároco colado" de Tarouca.
No seu tempo era assim. Os padres
concorriam às paróquias. Se conseguiam o lugar, chamavam-se
"padres colados" e, na prática, ninguém os podia mudar. Os
"padres colados" recebiam um ordenado do Estado.
Homem popular, não era servo da
ambição pois morreu pobre. A quinta que havia comprado no lugar
de Castanheiro do Ouro e onde havia mandado colocar a imagem de
Santa Apolónia, deixou-a hipotecada em 30 contos.
Escritor ensigne, publicou às suas
custas várias obras, como "A Formosa Judite", "Rimas Sacras",
"Paraíso Resgatado", etc. Os seus
trabalhos literários foram vendidos a uma livraria do Porto, sem
ter recebido jamais o dinheiro combinado, Numerosas publicações
do seu tempo teceram rasgados elogios às suas composições poétcias.
"Cultivou uma linguagem genericamente portuguesa; os seus versos
são cheios de graça e de espírito religioso, que atrai e cativa,
corrosivos por vezes.
Era muito solicitado para dar conselhos do foro Jurídico/administrativo.
Muitas vezes pagou do seu bolso a burocracia do processo e até o
transporte deste até ao advogado.
Homem liberal, gostava de ser simpático. Todos os anos, ao fim da
venda do vinho que produzia na sua quinta, ia passar uma ou duas
semanas de férias na cidade do Porto. Na pensão onde se instalava,
frequentemente pagava o almoço aos que se sentavam à sua mesa.
Monárquico de gema, enfrentou o furor
dos republicanos a seguir ao 5 de Outubro de 1910. Acossado pelos
"republicanos de ocasião" que por lá havia, teve de se refugiar no Porto.
Para espicaçar mais a fúria desses
republicanos, escrevia-lhes desta cidade, dizendo que estava cheio de
andar escondido, que desejava entregar-se e por isso o fossem procurar
a tal pensão. Claro, punham-se logo a caminho. Ao baterem à porta,
saboreando já o prazer da caça, ouviam de quem lha abria:
- "Esteve cá mas já saiu." A desolação dos perseguidores
adivinha-se. O Padre Castro foi
homem com "H" grande. Não se deixava dominar pelo ódio ou pela vingança
que amesquinham. As pessoas de Tarouca com quem teve problemas políticos
vieram a ser suas amigas.
Homem sem medo, apontou os males do tempo, mesmo que
em causa estivesse "gente importante".
A um conservador do Registo Civil do seu tempo, apontou-lhe a incúria
do dever; ao secretário da Câmara Municipal, chamou-o à atenção por
causa da brutalidade com que tratava algumas pessoas. Por causa disto
ele e um seu amigo que era o Notário nessa altura, foram acusados
de "comunistas". A PIDE veio busca-los e foram, presos. Mas o P.e
Castro era pessoa de grandes conhecimentos e de grande reputação,
conseguiu desmontar a "ratoeira" que os despeitados lhe armaram.
Não quis contudo sair da cadeia sem que fosse igualmente libertado o
seu amigo, cuja inocência ele bem conhecia.
Quando chegaram à vila, depois de terem sido libertados, foram
recebidos com o repicar festivo dos sinos da Igreja. O povo,
o povo mesmo, bem sabia que o seu Abade lutava pela sua dignidade,
procurando ser a sua voz e luz.
Na serra de Santa Helena, apareceu
por lá uma mulher de nome Carolina que viveu por algum tempo por
entre o mato e as pedras. A sua sobrevivência num meio tão inóspito
consistia um mistério para o povo que começou a acreditar que se
tratava de uma santa.
O Abade Castro foi chamado para a sacramentar mas
esta não só não quis se confessar como ainda desatou aos
palavrões.
Quando a dita Carolina faleceu, muitos a queriam
canonizar, procurando para tal o apoio do Abade. Este não alinhando com a
exasperação dos sentimentos religiosos de uns, nem com a
ganância de lucro de outros, permaneceu fiel a si mesmo. Tal
posição trouxe-lhe "amargos de boca". Chegou a encontrar a porta da
igreja fechada quando ia para celebrar missa, recebeu ameaças mas nunca se
vergou.
Ao Abade Castro, bem se podia aplicar a sabedoria
antiga:
"Sou muito amigo do meu amigo, mas sou mais amigo da verdade".
(Fonte: "Sopé da Montanha" de 11/2000)
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