Página de Abertura
Personalidades
Dr. Armando A. Fernandes
Gaspar d'Almeida Paúl
P.e José A. Castro
P.e Leite de Vasconcelos
P.e
Vasco A. Moreira
Dr. Victor O. Gouvêa
Sebastião Cardoso
Adácio Pestana
Adriano T. Saavedra
Nelo Vingada
António Caetano
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Adácio Ferreira Pestana
Músico
Adácio Pestana nasceu a 21 de Junho de 1925 em
Gouviães, freguesia do concelho de Tarouca, no seio de uma família de
músicos. Em 1934 foi viver com o seu avô paterno, Manuel Ferreira,
fundador da Banda Musical de Gouviães em 1877 e que o iniciou na música.
Como professores e substitutos da figura paterna teve os
seus irmãos Duarte e Ângelo. Tal como seus irmãos, Adácio
veio a ser mestre da Banda da sua terra Natal, apenas com catorze anos, onde se
manteve durante dois anos.
Em 1942, a pedido de seu irmão Duarte, membro da
Guarda Nacional Republicana, foi admitido nos "Pupilos da Guarda", após
prestação de provas. Aqui iniciou os estudos secundários e o
aperfeiçoamento musical até integrar a Banda da G.N.R. onde deu os
primeiros passos no mundo da música sinfónica.
Pela mão de seu irmão, rapidamente passou
a integrar as orquestras que acompanhavam os grandes espectáculos de
ópera realizados no Coliseu dos Recreios em Lisboa, executando o lugar de
primeiro trompa. Entre 1944 e 1948, foi fazendo reforços eventuais na Orquestra
Sinfónica da Emissora Nacional. O convívio com grandes instrumentistas
do naipe de trompas e o acompanhamento dos seus irmãos Duarte e Ângelo
muito contribuíram para o seu aperfeiçoamento e desenvolvimento harmonioso.
Casado com Maria da Glória encontrou, em 1946, no seu sogro, Dâmaso
Martinho, um grade amigo e conselheiro.
Em 1948, ingressou a título permanente na
Orquestra Sinfónica da Emissora Nacional. em 1950, na sequência do
prémio "Del Nero" para trompa que lhe fora atribuído no ano anterior
em concurso promovido por aquela estação radiofónica, passou
a ocupar o lugar de trompa solista na respectiva categoria da orquestra. No mesmo
ano, a direcção da Emissora Nacional passou a atribuir um
carácter de regularidade à realização de concertos pelo
Quinteto de Sopro que uns anos antes Adácio, seu irmão Ângelo e
mais três músicos haviam fundado.
Em 1952, apresentou a solo, pela primeira vez, com a
Orquestra Sinfónica para execução da primeira
audição em Portugal do concerto n.o 1 opus 11 para trompa
de Richard Struss. Os quatro concertos para trompa, de Mozart, fizeram também
parte do seu repertório musical como solista à frente de várias
orquestras: Orquestra Sinfónica, Orquestra Filarmónica de Lisboa e
Banda Sinfónica da GNR em Lisboa, Funchal e Brasil. Também actuou na
Orquestra Gulbenkian e em algumas orquestras sinfónicas inglesas e
alemãs. Tocou ainda todo o repertório de ópera clássico
e contemporâneo no Teatro de São Carlos e no Coliseu de Lisboa.
A ida de seu irmão Ângelo para o Brasil,
em 1956, onde viria a destacar-se como maestro da Orquestra e Director
Artístico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, foi por si muito sentida
habituado que estava à sua profunda amizade e a tantos e bons momentos que
passaram juntos.
Desde o início da sua carreira, que perdura
até aos anos oitenta, que Adácio Pestana tocava uma média de 10
hora por dia em ensaios de conjunto sinfónico ou exercícios individuais
e em estudo de peças musicais.
Apesar da sua intensa actividade, concluiu o Curso do
Conservatório Nacional de Música, com distinção, em 1961.
De imediato, passou a frequentar um curso de aperfeiçoamento de trompa no
Conservatório de Zurich, Suiça, como bolseiro da Fundação
Gulbenkian. Nesse ano ainda, depois de ter comprado a sua primeira trompa de
elevadíssima qualidade, reputada Casa Alexander em Mainz, na Alemanha e
após a administração da fábrica se aperceber da
excelência dos seus dotes, Adácio Pestana passou a seu conselheiro para o
fabrico dos instrumentos.
Em 1962 tomou posse como Professor do Conservatório
Nacional de Lisboa onde leccionou mais de três décadas. Foi também
professor na Academia de Música Eborense e no Conservatório de
Setúbal. Como instrumentista, actuou na Alemanha, Bélgica, Brasil,
Dinamarca, Espanha, Holanda, Itália, Marrocos, Suiça e na então
Província de Angola.
Privou com os maiores compositores, professores,
músicos e maestros nacionais do seu tempo. Recebeu convites de maestros
mundialmente célebres para integrar as melhores orquestras internacionais,
mas sempre preferiu "o seu cantinho" como carinhosamente tratava o seu País.
Em 2 de Dezembro de 1989, actuou pela última vez
no Teatro São Luis, em Lisboa, no derradeiro concerto da Orquestra da RDP
(Ex-E.N.) antes da sua extinção, por decisão governamental.
Celebrado como exímio executante de trompa (um
dos mais conceituados a nível mundial) e como professor proeminente na arte
de bem ensinar, Adácio Pestana, com o seu modo de ser e de estar na vida,
cultivou grades amizades sendo admirado por todos quantos com ele conviveram. |