O vale encantado que procura

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  • António Vieira Caetano
    Conservador e amigo do Mosteiro de S. João de Tarouca

         Nasceu em S. João de Tarouca, no dia 12 de Fevereiro de 1936, no seio António Vieira Caetano de uma família humilde.
         Aos 2 anos de idade, uma doença - a poliomielite - irá marca-lo para toda a vida, ao paralisar-lhe o membro inferior direito, pelo que, ainda hoje, o vemos sempre acompanhado da sua inseparável bengala.
         Na sua aldeia natal, concluiu a 3.a classe da instrução primária, tendo aos 11 anos, iniciado a aprendizagem da arte de alfaiate com um seu primo, e aos 19 anos, começado a exercer esta profissão por conta própria.
         Mais tarde, com 30 anos de idade, fez o exame da 4.a classe. No ano seguinte, na esperança de conseguir uma vida melhor, rumou até Lisboa, onde tinha uma irmã tendo ido trabalhar para uma famosa alfaiataria propriedade de António Teixeira Dias, seu conterâneo e que se viria a destacar como um grande benemérito para com a terra que o viu nascer.
         Foi, contudo, noutras importantes alfaiatarias ligadas à confecção de vestuário de peles, que trabalhou a maioria dos 12 anos em Lisboa.
         Quando tinha tempo livre, António V. Caetano dedicava-se à leitura de livros de História, que procurava junto dos alfarrabistas ou adquiria nas mais diversas livrarias. As obras de José Leite de Vasconcelos e do Abade Vasco Moreira ajudaram-no a aprofundar ainda mais os conhecimentos sobre o Mosteiro de S. João de Tarouca, que anualmente visitava quando se deslocava à sua terra.
         Quando regressava a Lisboa levava consigo a mágoa da degradação que, ano após ano, se abatia sobre o "seu" mosteiro. Em 1979, resolveu voltar a S. João de Tarouca, com o grande propósito de defender tão valioso património, mesmo enfentando ameaças á sua integridade física ao denunciar situações que visavam desvirtuar o monumento. Escreveu a ministros e presidentes expondo a situação ruinosa do Convento. Começou a limpar a igreja e a guiar as visitas a quem por lá passava. Depois de 7 anos de trabalho gratuito, foi convidado pelo I.P.P.C. para guarda do Mosteiro.
         A este reconhecimento, seguiu-se a simpatia granjeada por todos quantos já visitaram S. João de Tarouca, desde o mais simples turista ao mais ilustre governante, passando pelos inúmeros estudantes que aí assistiram e ainda assistem a verdadeiras aulas de História, dadas com mestria.
         Dos momentos altos na vida recente do Mosteiro, António Caetano recorda a festa do regresso do Quadro de S. Pedro em 1992, após 15 anos de ausência; a cerimónia aí realizada em 1996, em que o primeiro-ministro Eng. António Guterres e o Ministro da Cultura Dr. Manuel Maria Carrilho anunciaram a verba disponível para a recuperação desta jóia do património português; e em Julho de 1999, a visita efectuada pelos mesmos governantes para se inteirarem das obras em curso, ao mesmo tempo que eram assinados os contratos de aquisição dos terrenos onde se situam os dormitórios.


         No dia 25 de Abril de 2000, António Vieira Caetano foi homenageado com a mais alta condecoração do Município de Traouca - a Medalha de Ouro, entregue pelo Sr. Presidente da Assembleia Municipal.



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