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As cores e o ar cantam e riem sob um céu puro e límpido que,
pousando no alto cume de Santa Helena e Monte Raso, se assemelha a uma cúpula de cristal, erguida sobre uma grande bacia
verde-glauca. (P.e Vasco Moreira in "Monografia de Tarouca")
Situação, Limites e Extensão do Concelho
O concelho de Tarouca está situado na província
da Beira Alta, a 10 quilómetros de Lamego e 58 de Viseu, com lugares muito próximos do rio Douro, a grande altitude do
nível do mar, e à vista do Marão, que lhe fica a Norte, e das cristas da Estrela, em cujos cimos, nas épocas
frias, se vêem as neves alvejantes que as coroam. O concelho é composto por povoações pitorescas, na serra
umas, e outras no vale, todas de remotas e de velhas tradições. O concelho é delimitado a Poente e a Norte
pelo de Lamego, a Nordeste pelo de Armamar, a Nascente pelo de Moimenta da Beira, a Sudeste pelo de Vila Nova de Paiva e a Sul pelo de
Castro Daire.
O clima é sadio. No verão a verdura das encostas e as águas abundantes temperam os
rigores das calmas; no inverno, os cumes dos montes abrigam as povoações das nortadas e dos ventos frios de Leste.
Sítios há onde se podiam edificar estâncias de turismo a que extensos pinhais, soutos e vistas espectaculares,
emprestariam frescor e beleza.
É muito acidentado o território do concelho de Tarouca. Os seus montes, quase sempre
verdejantes, tornam-no pitoresco e, no seu conjunto, oferecem-nos agradável aspecto. Duas serras principais o dominam e
formam como que duas grandes muralhas que o abrigam: são a serra de Santa Helena e o Monte Raso.
Este pequeno sistema orográfico mostra-nos três vales secundários que podemos chamar:
o «vale de Tarouca», o «vale de S. João-Mondim-Ucanha» e o «vale de Salzedas». A serra de Santa Helena, de um lado,
o monte de Santa Bárbara do outro e o monte Ladairo a Sul, formam a grande bacia onde a vila se ergue, do lado direito do rio
Barosela e rodeando o belo morro de Alcácima, antiga estância dos Árabes.
Compõem esta bacia extensos campos de fácil cultura, onde as produções
são variadas e abundantes e a verdura mostra tonalidades diversas. A quebrar a monotonia de toda aquela extensão, erguem-se
as casas de habitações, entre árvores de fresca sombra e leves ondulações de terreno a protege-las no
seu encanto. É este um dos lugares mais pitorescos não só das Beiras, mas de todo o país:
O vale de S. João fica no fundo duma pequena e arredondada bacia. Ladeiam-na, em perfeito anfiteatro,
os montes Corvo, Cascalheira, Recião, Senhor da Misericórdia e Galinheira, só com uma pequena abertura, para Norte,
por onde escoa o Barosa. A Suiça, tão admirada pelas suas belezas alpestres, não tem lugar que este inveje.
O espírito, entre
aqueles cumes altos e colinas verdejantes, quase aprumadas, concentra-se e
medita, para logo, sugestionado pelo horizonte que se advinha, lá em cima, subir até galgar as eminências, cortadas
de ravinas. Foi ali que se edificou, no século XIII, o convento e a Igreja dos monges Bernardos. No fundo deste vale, o Barosa
corre em semicírculo a dividir a povoação que uma ponte românica liga.
Mais acima do seu leito existem, ainda meio desmanteladas, as feitorias dos monges. O Couto, último
vestígio do poderio do Mosteiro, assenta na encosta do Sul. Dum e outro lado da Igreja e Convento, em ruínas,
elevam-se as colinas de Santa Catarina e Santa Umbelina, com as suas capelinhas alvejantes. Eram os lugares de recreio dos frades.
Mais abaixo, na margem direita do Barosa, está Mondim, a chamar-nos como um lenço branco, com a neve
de suas casas, entre verdes árvores.
Ali o vale alarga-se até o monte do Castro, com a Ranha ao Nascente, a cumieira ao Poente e o monte de
Santa Bárbara
(Castro Rei) ao Norte. É ele um como estuário dum grande rio que, descendo do alto, se espraia na sua
margem. A povoação estende-se acima do grande estuário a alegrar a monotonia do vale. Descendo mais, fica Dalvares,
com o solar dos Melos; e mais abaixo ainda, dum e outro lado do rio, encontramos Gouviães e Ucanha, ligadas por outra ponte
românica, esta com a característica misteriosa e quase única de ser encimada por uma torre que lhe proteje a entrada
do tabuleiro. Logo a seguir o vale afunila-se e entra-se no antigo couto do Mosteiro de Salzedas, as terras que D.ª Teresa Afonso,
segunda mulher de Egas Moniz, lhes doou.
A partir daqui o Barosa tem um curso mais rápido e bastante acidentado, por vale estreito e fundo a
caminho do Douro que já não lhe fica distante.
O Barosa nasce em Várzea da Serra; segue a direcção de Poente a Norte, abraça a serra
de Santa Helena do Nascente e vai desaguar no Douro. Foi coutado até às poldras de Dalvares aos monges de S. João e
dali até o Torno aos de Salzedas. Segundo uma carta de D. Pedro I, também se chamou Fisto. É abundante em trutas.
A ele andam ligadas muitas lendas e tradições. Foi nas suas margens que Egas Moniz e outros ricos homens do Minho vieram
estabelecer quintas e herdades. Desagua nele, junto de Mondim, o rio Barosela que igualmente nasce em Varzea da Serra e, seguindo
direcção oposta, abraça do outro lado a serra.
A vegetação das suas margens é abundante e variada. Todos estes acidentes, a traz descritos, salpicados de documentos
históricos, tornam a região de Tarouca encantadora, pelos seus cromos de verdura e luz. As cores e o ar cantam e riem sob
um ceu puro e límpido que, pousando no alto cume da Santa Helena e Monte Raso, se assemelha a uma cúpula de cristal,
erguida sobre uma grande bacia verde-glauca.
Bibliografia: "Monografia do Concelho de Tarouca" do Ab. Vasco Moreira
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